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Entrevista a Délio Gonçalves e o 3.º Concurso Ateneu Artístico Vilafranquense
01-Fev-2010
Image 3.º Concurso de Bandas – Ateneu Artístico Vilafranquense com as inscrições já abertas.
Como Director Artístico do Concurso, o Maestro Délio Gonçalves fala-nos um pouco acerca deste Concurso e desta 3ª Edição.

 

 

Maestro, passaram dois anos desde a nossa última entrevista aqui no BandasFilarmonicas e surge-nos novamente o tema do Concurso de Bandas do Ateneu Artistico Vilafranquense, que já vai na sua 3ª Edição.

Sim, é verdade! Eventualmente muito tempo depois para uma nova entrevista, mas por outro lado ainda bem que assim é e principalmente sobre este tema! É um sinal muito positivo, é sinal de continuidade e de qualidade do trabalho realizado. É sem dúvida um sinal de que as nossas Bandas Filarmónicas acreditam neste grande evento da nossa filarmonia que se realiza de dois em dois anos.


Nestes dois anos houve evolução?

Sim, penso que sim! Umas coisas mais do que outras, mas a evolução é patente logo em primeira instância na qualidade do trabalho que as Bandas realizam para aquele momento e isso faz mexer toda uma panóplia de outras coisas que estão naturalmente associadas às Bandas e à sua vivência, desde o repertório aos agentes económicos da área, e claro, como não podia deixar de ser, à evolução natural das bandas em si, que é o mais importante!


Os objectivos iniciais da Organização foram cumpridos, mantêm-se ou nasceram outros?

Os objectivos iniciais mantêm-se e foram cumpridos.
Agora, tal como todas as artes, a música está em constante mutação e isso faz com que, eu na parte artística e o Ateneu Artístico Vilafranquense na parte logística, tenha-mos de estar em constante actualização para fazer face aos novos desafios que se vão colocando naturalmente pela evolução inclusive das próprias Bandas.
Torna-se óbvio que em cada edição haja sempre novas lições a tirar, não só na logística do evento, mas também e principalmente na percepção das capacidades e da evolução artística que as Bandas vão tendo.
Neste sentido, a fasquia artística tem vindo a aumentar e torna-se necessário existir novas ideias e formas de estimular as Bandas para o seu trabalho!


Quais as principais alterações no Concurso a reflectir-se na edição que se avizinha?

Na verdade há algumas alterações que se prendem com a parte da tauromaquia.
Há que reconhecer que, apesar de todos os esforços, a minha ideia inicial não estava a funcionar na prática, a realidade revelou-se muito diferente nas duas primeiras edições e por isso, a partir deste ano, há uma competição TAUROMAQUIA para cada uma das categorias.


O que considera que teve uma maior progressão?

Na generalidade tudo teve uma evolução muito positiva. Penso que, neste capítulo, tem contribuído o esforço das Bandas que se apresentam e dos seus Maestros, bem como de pequenos detalhes que vou adaptando de ano para ano à realidade que temos e que é com ela que temos de trabalhar.


Há algum aspecto que não tenha progredido tanto como gostaria?

Bem, há uma certa hesitação por parte das Bandas e seus Maestro numa das partes do concurso que é o Desfile. No entanto, tenho tentado convencer alguns Maestros a participarem com as suas Bandas e porque na realidade não é nada mais do que o que todas as Bandas por principio fazem nas suas Festas e Romarias. Penso que, na maioria dos casos, não há atenção suficiente ao regulamento do concurso e desta forma, não percebem a simplicidade desta prova. Só no momento e assistindo aos outros é que percebem que também o podiam ter feito!
Para mim, não faz sentido uma Banda conseguir vir até Vila Franca de Xira e participar no Concurso sem concretizar todas as competições disponíveis! Depois do esforço financeiro feito há que aproveitar o máximo.


Tem havido candidatos internacionais para esta nova edição? De que países?

Sim, tem havido. Este ano é já uma garantia a presença de uma Banda Suíça e de uma Alemã!
De resto, temos contactos de Espanha, como de costume, e de uma Banda Italiana que tem tentado vir todos os anos. No entanto, este nosso problema geográfico não tem ajudado muito! Estamos aqui neste cantinho e da mesma forma que para nós é difícil ir lá fora, e quando me refiro lá fora nem é a Espanha, mas à Europa Central, para as Bandas desses países o problema põe-se também, como é natural!
Mas vamos ver até ao fim como tudo corre!


Qual a sua opinião acerca da participação de Bandas estrangeiras?

Tal como referi anteriormente, nesta edição iremos ter a participação de pelo menos duas Bandas estrangeiras que não são propriamente nossos vizinhos do lado! Para mim, esta participação significa que tudo acontece pela credibilidade não só da organização, mas fundamentalmente pela credibilidade artística do concurso, quer a nível dos patamares das categorias, quer a nível da composição dos elementos avaliados em prova e acima de tudo pela credibilidade da composição do júri do Concurso.


De acordo com o programa dos anos anteriores, o Concurso divide-se em três categorias e cada Banda deverá tocar uma peça obrigatória e outra de livre escolha. A estrutura deste programa mantém-se, maestro, porque não alterar algo?

Sim, a estrutura mantém-se! Aliás, a estrutura tanto na parte artística como na logística é idêntica à grande maioria dos concursos de bandas.
É nesta estrutura e nesta forma em que acredito, sendo assim a razão da continuidade, com naturais ajustes à nossa realidade, não na génese, mas mais ao nível do ajuste do regulamento à realidade artística e logística que se vai verificando de edição para edição do concurso. No entanto, estes ajustes nunca fogem dos Concursos de padrões internacionais.


Sobre as obras obrigatórias que razões suportam estas escolhas?

A primeira razão e a mais importante é a dualidade da “escolha artística” – “capacidade das nossas Bandas”-, depois a procura de novas linguagens e de novos materiais de trabalho e a estimulação dos nossos compositores a escrever novas e inovadoras obras. Porém, está claro que tudo isto é condicionado à disponibilidade dos parceiros comerciais da área, nomeadamente as editoras que ao longo destes anos têm mostrado interesse e disponibilidade para apoiar o evento.


Existe alguma pressão por parte dos parceiros comerciais na escolha das obras?

Devo confessar, que aliar o interesse artístico do concurso com o interesse comercial dos parceiros não é fácil, mas tem sempre havido ao longo destes anos boa vontade e compreensão por parte de todos, para se chegar a bom porto.


Pode tecer algum comentário relativamente a essas obras?

Ano após ano, tenho procurado que em pelo menos numa das categorias e de forma cíclica, uma das peças obrigatórias seja um novo trabalho de um compositor português.
O que acontece é que, este ano, não só a primeira categoria terá uma obra de um compositor português escrita especialmente para o concurso, mas como também o Passo Doble da segunda, com uma peça também escrita para o concurso, e da terceira categoria, com uma peça já editada.
Quanto as obras da segunda e terceira categoria, a da segunda foi feita para o concurso por um compositor Austríaco e a terceira é uma obra já editada, mas desconhecida, feita por um dos parceiros do concurso.


Quanto ao júri, que comenta sobre as personalidades que convidou?

O júri é composto por personalidades reconhecidas internacionalmente na área, em quem deposito inteira confiança no seu trabalho e no seu juízo. E tal como referi anteriormente, talvez a vinda de Bandas de outros países seja um sinal dessa credibilidade que o júri representa.


No entanto, o júri mantém-se o mesmo ou há alguma alteração?

Tal como tenho sempre feito, em cada edição do concurso, mudo um dos elementos do júri para que, dessa forma, o grupo de jurados possa manter uma opinião de continuidade em relação à evolução das bandas e do concurso. Isto tem ajudado a corrigir muita coisa no seio do concurso, nomeadamente a mudar estratégias, a definir os parâmetros artísticos das categorias e a pôr o nível artístico do concurso em patamares internacionais.
A alteração deste ano será a substituição do Maestro Petit pelo Maestro Norbert Nozy, que foi Maestro e Chefe da Banda da Guarda Belga. Espero que tudo também corra pelo melhor nesta edição porque assim poderei descansar e dar o lugar a outro na próxima edição!


Que espera conseguir nesta nova edição?

Espero naturalmente uma boa adesão das Bandas e do público, mas espero fundamentalmente que nesta conjuntura social e económica difícil, o Concurso possa ser mais uma vez um centro dinamizador e canalizador do estímulo para tudo o que envolve as Bandas e o seu mundo! Espero que o concurso possa ser em Portugal a grande festa das Bandas Filarmónicas.


Quantas inscrições possui até este momento?

Algumas!!! Segredo de profissão!! Estou a brincar! Há já várias, mas tal como nos anos anteriores e como é típico de um bom português, as inscrições ficam mesmo para o fim.
No entanto, pelo feed back que tenho dos editores, que são naturalmente quem vende as obras e por isso o primeiro sinal da adesão, sei que está em linha com as outras edições.
E espero realmente que pelo menos o número de inscrições pelo menos se mantenha, porque esta conjuntura actual não é nada fácil e dificulta muito a vinda das bandas!


A data limite para a inscrição no Concurso mantém-se ou vai ser alterada? E as condições da inscrição são iguais às da edição anterior?

A data limite mantêm-se, ou seja até ao fim de Março, e as condições de inscrição são as mesmas que na edição anterior! Houve o cuidado de tentar não onerar mais a vinda das Bandas! Por minha vontade e até pela situação actual, não seria, preferia que ninguém tivesse de pagar a sua inscrição, mas essa também é a prática noutros países e em muitos concursos, e de outra forma não era possível organizar o evento, e também não nos podemos esquecer que as Bandas são avaliadas por um júri internacional! Isso tem naturalmente um preço a pagar! E penso que as próprias Bandas já aprenderam a valorizar isso mesmo!


Que tipo de apoio possuem as Bandas participantes para deslocar-se a este concurso?

Da nossa parte podem contar com o apoio logístico durante o concurso, agora financeiramente tem de contar com elas e com os seus próprios meios! Não temos outra forma!


Para as Bandas no nosso país, no seu ponto de vista, o que significa o Concurso de Bandas do Ateneu Artistico Vilafranquense?


Significa ter a oportunidade de fazer um trabalho diferente, de dar a julgar a sua performance e o seu trabalho, de perceber e ter uma opinião avalizada sobre a sua Banda e de simultaneamente ter a possibilidade de se poder apresentar na maior montra das Bandas no nosso País.


Maestro, poderá proferir algumas palavras as Bandas de modo a incentivar a sua participação?

Penso que, para todos em geral, o concurso em si já é um incentivo suficiente!
Contudo, não posso deixar de dizer a todos que este meu esforço em conjunto com muitas entidades, que vão desde o Ateneu Artístico Vilafranquense, às Autarquias locais e aos diversos agentes comerciais da área da música envolvidos.
É um grande esforço e de grande dedicação para todos, em prol da música que é vivencia de todos, que é a nossa paixão maior, e que são as Bandas.
Deixar fugir a oportunidade de galvanizar o nosso meio artístico, pode mais uma vez voltar a hipotecar tudo o que já foi recuperado nas nossas Bandas através do Concurso! Por isso, venham! Estão todos convidados! O concurso é fundamentalmente uma grande festa da música, das Bandas Filarmónicas e dos músicos! É uma festa de todos!!
 
 
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