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Carlos Alves no Jornal Público

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Não pertencendo a uma família de músicos, foi na escola primária, no Alentejo, que Carlos Alves imprevistamente se iniciou na música. “Tinha seis anos, e há um menino que chega e nos diz: ‘Inscrevi-me na música.’ Então, inscrevemo-nos todos”, recorda. A paixão tornou-se séria, e pouco tempo depois o pequeno Carlos encontrava-se a tocar clarinete na banda da Sociedade Artística Nizense, em Niza, onde aos oito anos já se aventurava nos solos de Glenn Miller.

Se nessa idade o objectivo da maioria dos estudantes é chegar ao trompete ou ao saxofone, Carlos ficou-se mesmo pelo clarinete. E sentiu-se bem. “O clarinete não foi uma escolha minha directa, mas ficou para toda a vida.”

Lembra-se de que começou por tocar “clarinetes de 13 chaves, muito antigos, do início do século XX”. Depois “conquistou” um Noblet de 21 chaves, resultado da colecta dos músicos da banda “para aquele menino ter um bom instrumento para tocar”.

Agora toca na OSP com um Buffet Crampon de Paris, marca topo-de-gama de quem é uma espécie de embaixador. “Lutei muito para estar aqui”, reclama Carlos Alves, citando um percurso de formação e afirmação que começou pelo Conservatório de Castelo Branco, passou por escolas superiores de Música de Lisboa e Porto, e se estendeu a Paris e também aos Estados Unidos, onde foi professor convidado na Universidade de Phoenix, no Arizona.

Um clarinete pode custar desde 250 euros a mais de cinco mil euros. E, ao contrário do que acontece, por exemplo, com as cordas, é um instrumento com um tempo de vida limitado. “Na máxima exigência, não dura mais de dez anos”, diz Carlos Alves, adiantando que a manutenção não é nada complicada, apenas é necessário ir substituindo as palhetas, “que se gastam muito”.

Para além do par de instrumentos que faz parte do portfólio de cada clarinetista, a Casa da Música fornece os modelos de utilização menos frequente desta família que, apesar de tudo, é mais extensa do que parece, com o baixo, contrabaixo, Mi bemol…

Além de representante da Buffet Crampon, Carlos Alves é também um animador deste instrumento em Portugal (ver o site http: /www.clarinete.pt), com vários discos gravados com diferentes formações. A pedido da marca francesa, vai gravar em Junho um novo disco com o modelo Divine: os Quintetos de Mozart e de Brahms.

“Sempre tive muita sorte na vida”, diz Carlos Alves. E os seus Divine não o têm deixado ficar mal.

 

Carlos Alves “In Jornal Público”

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